sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sanidade, recuperação e a vida que segue.

Bem,  voltando a postar depois  de algum tempo, ja faz quase 1 ano que estou limpo, pouco mais de 3 meses que sai da clinica onde estava em  tratamento,  muita coisa  mudou na  minha vida, hoje a vontade de usar já não existe mais, pensamentos sobre drogas vem  e passam logo, pois lembro do quanto sou impotente perante a adicção.
No começo achei que minha vida já estaria resolvida só com o termino do tratamento,  recuperei minha sanidade,  e traçava metas para  minha vida pós-tratamento. mas  como reconheço que não tenho controle algum sobre o  que vai acontecer durante os dias, muita coisa ficou bem diferente do que imaginava. Pra começar acabei trocando de  compulsão, me vejo ainda preso no meu  mundinho, as vezes  me isolando em mundos virtuais de jogos online, apesar  disso, consegui  levar a vida de forma mais coerente, voltei a ter algum convívio social, hoje consigo falar com as pessoas sobre tudo que passei, sobre a adicção, sobre meu tratamento, o que antes tinha vergonha de expor, hoje é motivo de orgulho para mim, pois sei que da apos dia estou dando a volta por cima.
Tudo seguia de forma linear, ate que a vida resolveu me testar, acabei descobrindo que sou  pai, minha antiga companheira havia mentido para mim afirmando ter perdido o filho que tanto esperava,  e pra completar ele ta registrado no nome de outra pessoa, nada que um suporte jurídico não possa resolver,, mas a noticia foi um  choque  para mim, pois havia me culpado muito da  perca  desse filho, e descobrir que ele esta vivo me fez sentir  o  maior dos trouxas no começo, algumas sessões de terapia e ter conhecido pessoalmente Arthur, me fizeram mudar meu ponto de vista, percebi  que a mentira que ela havia inventado acabou se tornando necessária para que  eu pudesse estar limpo hoje, vejo  o agir do meu poder superior nisso, preservando essa  criança de um pai antes doente e sem perspectiva alguma, para que agora eu possa realmente assumir  de forma assertiva minhas  responsabilidades como  pai, agora  algo mais me impulsiona a me manter limpo, consegui enfrentar essa situação de cara, limpo, sem recorrer a  nenhuma  substancia,, e me sinto mais forte com isso. só por hoje sei que posso encarar a vida e suas  surpresas de frente, como um  adicto buscando recuperação.

não achava que minhas postagem fossem alcançar  alguém, mas ontem vi que uma pessoa se identificou com  minha situação, e me sinto grato em poder ajudar. vou seguir postando sempre que possível,  tudo bem que são historias bem pessoais, mas quem  sabe com o  tempo vou entrando mais a fundo no tema da adicção.


ps: eu mesmo reviso meu texto, sou péssimo com português, você que ta lendo tem 2  opções ou ignora, ou se prontifica a  revisar :v

sábado, 30 de abril de 2016

Delírios, Drogas e Doença





huum.,,
não sei muito bem como começar isso, estou pensando em manter registros aqui, mais ou menos como um 10º passo de NA, não sei com que frequência vou escrever, mas já haviam me sugerido um blog como forma de desabafo, amigos distantes e vida pouco social da nisso :).
Estou quase ha uma semana em casa, terminando um tratamento que me tirou de um fundo de poço que eu pensei não haver saída, antes de criar esse blog ate me deparei com outro que eu havia criado a um tempo atras, onde nele escrevi minha "carta de suicídio", ainda bem que não o concretizei.

Muita coisa mudou desde então, com a abstinencia me voltou uma clareza de pensamento, e pude ver o quanto estava me afundando em um mar de drogas, relacionamentos doentios, falta de amor próprio e comportamentos autodestrutivos.Sai de uma relação que durou quase 11 anos, teve aspectos positivos no que eu vivi, isso não posso negar, mas hoje vejo o quanto doente era aquela relação, não por conta da outra pessoa, minha intenção não é culpar ninguém, mas as partes envolvidas eram doentes e nada muito saudável poderia brotar daquilo, é fácil ver isso hoje, afinal o tempo q durou essa relação, foi quase todo o tempo que durou minha adicção ativa, por muito tempo vivi em função das drogas e daquele amor, sentimento esse que eu repetia através de palavras, mas não de atitudes, sentimento tao doente que chegava a ser maior que meu amor próprio, enfim, durou muito ate, como disse antes, não posso dizer que foi a pior coisa que aconteceu na minha vida, tirei coisas boas dessa experiencia, por um tempo ate construímos coisas juntos, criei responsabilidade, fui morar no meu próprio apartamento, enfim, foi possível crescer nesse tempo, ate que a droga se tornasse mais importante que tudo, passei a viver em funçao dela, não sabia brincar de usar, levei a serio, não tinha mais horário, lugar, ocasião, estar acordado já era motivo suficiente pra usar, então eu conheci algo que me motivou mais ainda a me chapar, a depressão, sentimentos de fracasso, vazio, frustração, auto piedade, raiva de mim mesmo entre outras coisas, serviam de combustível pra minha fissura, com o fim da relação meu vicio na cocaína se intensificou, me deixando cada vez mais doente, incapaz de enxergar o quanto eu estava cavando minha própria cova. Ai foi que eu achei que meu problemas tinha se acabado, foi quando reencontrei uma antiga amizade de infância, uma garota que eu já não via  a mais de 15 anos, começamos a conversar pelo facebook, com pouco mais de um més, eu já havia viajado para a cidade dela, passamos alguns dias internados em uma pousada(que parecia mais motel), então eu como bom adicto, resolvi precipitar tudo, trouxe ela e a filha dela para morar comigo, na casa da minha mãe, e o pior, eu estava desempregado, recebendo seguro desemprego, e pra piorar, descobri alguns meses depois que ela estava gravida, pelo tempo de gravidez que deu na ultrassom não deixava muita duvida que o filho seria meu, ate ela resolver abortar, ai foi o fim pra mim, terminamos uma relação tao doente quanto eu estava, me envolvi com uma pessoa que mal conhecia, e colhi os frutos de escolhas mal feitas.

Ja não podia mais lidar com toda merda que estava ao meu redor, queria me matar, ate sai de casa pra fazer isso, mas hesitei. Foi então que resolvi me internar em uma clinica terapêutica, e minha vida, assim como algumas convicções, vem mudando. Hoje me vejo de forma diferente, vejo o que aconteceu na minha vida de outra forma, venho me conhecendo mais, encarando fatos que antes me anestesiaria pra lidar com eles, diferente de antes, hoje acredito em algo maior que eu, eu o chamo de Deus, não esse Deus bíblico, pregado pelas religiões a fora, tenho minha própria espiritualidade, não dogmas e crenças pre-estabelecidas. Bem, vou ficando por aqui, só por hoje, enquanto escrevo me questiono muito, sobre pra quem eu estaria escrevendo, se alguém se importaria com isso, se eu to querendo chamar atenção de alguma forma, se o texto faz algum sentido, se tem muito erro de português(esse eu sei que tem), se isso, se aquilo, dai lembro que é só minha mente ainda doente trocando ideia comigo.

PS: quando falo de doença me referindo a mim, estou falando sobre ADICÇÃO, caso nao saiba o que é, por favor da uma olhada aqui: http://www.na-pt.org/boletins/bol17.php